quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Congresso da AE aprova a tese “Em defesa da nossa história”



Durante os dias 29, 30 e 31 de julho, a Articulação de Esquerda realizou seu Congresso.

Parece piada pronta: congresso de esquerda sempre termina em racha, mas para inaugurar um novo período, o da Articulação de Esquerda rachou antes de começar.

Aos fatos: criada em 1993, a partir de uma cisão da então corrente majoritária do PT, a Articulação de Esquerda convocou para os dias 29, 30 e 31 de julho seu Primeiro Congresso. Antes e ao longo de 18 anos de existência, a AE já havia realizado 6 seminários e 12 conferências.

A decisão de convocar um Congresso (e não apenas uma conferência) estava relacionada à compreensão de que o PT, após oito anos governando o Brasil, está diante de desafios de novo tipo, frente aos quais se faz necessária uma reflexão mais profunda.

O Congresso foi convocado no início de 2011. Foram publicadas 13 Tribunas de Debate. Ocorreram congressos municipais e estaduais em 18 estados.  E a militância foi se polarizando em torno de duas teses: “Inaugurar um novo período” e “Em defesa de nossa história” (disponíveis na www.pagina13.org.br).

No final de junho, a discussão política ganhou um ingrediente regimental.  A direção nacional da tendência aprovou uma auditoria sobre o processo de filiação ocorrido na AE da Bahia. Para os signatários da tese “Inaugurar um novo período”, tratava-se de uma tentativa de manipular o resultado do Congresso.  Para os signatários da tese “Em defesa da nossa história”, tratava-se de passar a limpo as dúvidas sobre o crescimento ocorrido naquele estado, que entre os dias 1 e 30 de junho, evoluiu de 193 para 794 filiados.

A auditoria, inconclusa, descobriu desde indícios de pagamento coletivo até filiados não petistas. Numa pesquisa preliminar, 242 nomes não constam do Cadastro Nacional de Filiados do PT. Dos que constam no CNF, 59 filiaram-se entre abril e julho de 2011.

Frente a problemas de tal magnitude, a direção nacional da AE decidiu que só o Congresso da tendência poderia credenciar os delegados eleitos na Bahia. Para os signatários da “Inaugurar”, isto teria sido um golpe contra a democracia, que os levou a sair da tendência, não sem antes avisar que impediriam que o Congresso se instalasse no local para o qual fora convocado. Para os signatários do “Em defesa da nossa história”, tratava-se de impedir que métodos que sempre criticamos quando adotados no PT, alterassem o caráter militante da tendência.

O restante do enredo é conhecido e, com variantes, já foi assistido centenas de vezes ao longo da história da esquerda brasileira: o grupo que decidiu sair da AE aprovou um manifesto onde informa que decidiram sair da tendência.  Como é usual nestes casos, os que saíram se apresentam como a verdadeira maioria, oprimida pela minoria que controlava a  direção da tendência.

A verdade é outra. A Articulação de Esquerda está presente em 25 estados do país (todos, exceto Roraima e Acre). Destes, 18 estados fizeram Congressos estaduais.  No dia 29 pela manhã, havia 76 delegados regulares em condições de credenciamento; 22 delegados que só poderiam credenciar-se, caso fosse paga a contribuição financeira dos respectivos estados; e 36 delegados que só poderiam credenciar-se, caso o Congresso autorizasse.

Como havia 70 delegados/as (de 14 estados) credenciados no Congresso da AE, o máximo que poderia haver do outro lado era 64 delegados/as. Talvez por isto, os que decidiram sair da AE não divulgaram nenhuma lista de delegados/as, o que desmontaria a tese de que são a maioria.

Seja como for, o Congresso da AE foi inaugurado no dia 29 de julho, na sede nacional do PT. A mesa de abertura foi dirigida por Iriny Lopes, Múcio Magalhães e Bruno Elias. No sábado e no domingo, o Congresso foi realizado no Hotel San Marco, sendo integralmente transmitido online, via internet.

As resoluções do Congresso já estão disponíveis no www.pagina13.org.br e serão distribuídas como encarte da edição 101 do jornal Página 13.


A Articulação de Esquerda (AE) é uma tendência interna do Partido dos Trabalhadores. 





Existe para a defesa de um PT de luta, de massa, democrático, socialista e revolucionário. Nossas posições políticas e programáticas estão expostas nas resoluções das conferências e seminários nacionais que realizamos desde 1993.


Nosso objetivo estratégico é reconstruir o PT enquanto partido democrático, revolucionário e socialista.

Ao longo de seus 15 anos de vida, a Articulação de Esquerda produziu diversos documentos e resoluções, por ocasião dos encontros e congressos partidários, das eleições diretas das direções partidárias, dos congressos da União Nacional dos Estudantes, da Central dos Movimentos Populares e da Central Única dos Trabalhadores, além de artigos publicados no jornal Página 13 e resoluções aprovadas pelas plenárias e reuniões da direção nacional da AE.

As principais resoluções da Articulação de Esquerda, de sua fundação em 1993 até a Segunda Conferência Nacional em 1999, foram reunidos na coletânea Socialismo ou Barbárie (Editora Viramundo, 2000).

As resoluções da Terceira até a Sexta conferência foram publicadas no livro “Novos Rumos para o governo Lula” (Editora Página 13, 2004). As resoluções da Sétima até a Nona conferência da AE foram publicados em livretos.

As resoluções aprovadas pela Décima Conferência Nacional da Articulação de Esquerda, foram publicadas em 2008 pela Editora Página 13.

Em 4 de fevereiro de 1993, começou a circular o manifesto A hora da verdade, texto que foi a base da formação da Articulação de Esquerda.

Nos dias 18 e 19 de setembro de 1993, um seminário nacional realizado no Instituto Cajamar cria formalmente a Articulação de Esquerda.

Sendo a principal força da esquerda petista, acumulando a presidência do Diretório Nacional e de outros importantes diretórios regionais, mesmo assim, a Articulação de Esquerda não consegue imprimir à campanha presidencial de 1994 as diretrizes contidas n’A Hora da Verdade. Após a derrota nas eleições presidenciais, importantes dirigentes da tendência defendem a reaproximação com o campo moderado. Esta posição não é aceita pela maioria da tendência, o que faz com que muitos dirigentes a abandonem.

Na Páscoa de 1996, reúne-se, em Vitória, o 5º seminário nacional da Articulação de Esquerda. No 5º seminário foram eleitos para dirigir a tendência: Jorge Branco (RS), Luci Choinack (SC), David Capistrano (SP), Sonia Hypolito (SP), Arlindo Chinaglia (SP), Iriny Lopes (ES), Érika Rocha (DF), Walmir Santos(BA), Gabriel dos Santos Rocha (MG), Hamilton Pereira(GO), José Claudenor (SC), Múcio Magalhães (PE), Julian Vicente Rodrigues (Juventude), Odilon Lima (ES), Valter Pomar (executiva), Vilson Augusto (executiva), Júlio Quadros (executiva), José Evaldo Gonçalo, Athos Pereira, João Pedro Stédile. Foram eleitos, também, os seguintes suplentes da secretaria executiva: José Evaldo Gonçalo (SC), Geraldo Garcia (MS), Athos Pereira (GO) e Ivo Bucarevsky (RJ).

No dias 21, 22 e 23 de março de 1997, reúne-se em Belo Horizonte o 6º seminário nacional da Articulação de Esquerda. No 6º seminário foram eleitos: Clóvis Ramos (RS), Geraldo Garcia (MS), Iriny Lopes (ES), Jorge Branco (RS), Julian Rodrigues (MG), Lígia Mendonça (PR), Luciano Zica (SP), Matilde Lima, Paulo Coutinho (ES), Sonia Hypólito (SP), Valter Pomar (SP). Como convidados permanentes, indicou-se os companheiros que participavam das direções nacionais da CUT, UNE, MST e bancada federal.

Em março de 1998, desta vez em Florianópolis, reúne-se a Primeira Conferência Nacional da Articulação de Esquerda. Na Primeira Conferência foram eleitos: Daniel Rodrigues (PE), Iriny Lopes (ES), Jones Carvalho (BA), Jorge Branco (RS), Julian Rodrigues(SP), Júlio Quadros (RS),Valteci Castro Jr.- Mineiro (MS), Paulo Coutinho (ES), Romeu Daros (SC), Sonia Hypólito (SP) e Valter Pomar (SP). Como convidados permanentes: Arlete Sampaio, Magno Pires, Walmir Assunção, Clóvis Ramos, Luciano Zica, Miltom Mendes, Adão Preto, João Coser, Dorcelina Folador, Antonio Marangon; membros da direção do MST, Ubes, Pastoral da Juventude; mais um representante de cada estado onde a AE esteja organizada.

Em abril de 1999 reúne-se, em Brasília, a Segunda Conferência Nacional da Articulação de Esquerda. A Segunda Conferência elegeu uma executiva composta por Romeu Daros, Sonia Hypolito, Valter Pomar, Marcel Frisson e Iriny Lopes, sendo convidados permanentes um companheiro do MS e Paulo Coutinho. A II Conferência elegeu também uma direção nacional composta por Múcio Magalhães (PE/nordeste), Armenes Júnior (PR), Gilson Souza (MG), Iti (RS), Luciano Zica (SP), Laédio (SC) e Marília (DF). São convidados permanentes: Soter (Abraço), Paulo Facioni (MPA), Luci Choinack, João Coser, Adão Preto (deputados federais), representantes dos estados do AM, MS e RJ, ,Adriano Oliveira (UNE), Walmir Assunção (MST), Eloísa Gabriel (CMP), Jorge Branco, Magno Pires (membros do DN), Júlio Quadros e Miltom Mendes (presidentes DR’s).

A Terceira Conferência Nacional da Articulação de Esquerda realizou-se no Instituto Cajamar, no estado de São Paulo, nos dias 22 e 23 de maio de 2000. A direção nacional eleita naquela ocasião era composta por Eloísa Gabriel (SP), Horst Doering (SC), Iriny Lopes (ES), Jorge Branco (RS), Marcel Frison (RS), Múcio Magalhães (PE), Romeu Daros (SC), Sonia Hypolito (DF) e Valter Pomar (SP).

A Quarta Conferência Nacional da Articulação de Esquerda realizou-se na cidade do Rio de Janeiro, de 27 a 29 de abril de 2001. A direção nacional eleita naquela ocasião foi composta por Bernadete Konzen (RS), Clemilton Queiroz (PI), Eloisa Gabriel (SP), Horst Doering (SC), Iriny Lopes (SC), Ivan Alex (BA), Jorge Branco (RS), Júlio Quadros (RS), Marcel Frison (RS), Marlene da Rocha (SC), Laédio Silva (SC), Múcio Magalhães (PE), Sonia Hypolito (DF), Valteci de Castro (MS) e Valter Pomar (SP).

A Quinta Conferência realiza-se na cidade de Campinas, estado de São Paulo, nos dias 29-30 de novembro e 1 de dezembro de 2002. A direção eleita foi integrada por Ademário Costa (BA), Armenes Júnior (PR), Bernadete Konzen (RS), Décio Favareto (RS), Eloisa Gabriel (SP), Fátima Dutra (RJ), Giucélia Figueiredo (PB), Iriny Lopes (ES), Ivan Alex (BA), Júlio Quadros (RS), Marcel Frison (RS), Marcelo Mascarenha (PI), Marlene da Rocha (SC), Múcio Magalhães (PE), Sonia Hypolito (DF), Valtecir de Castro (MS), Valter Pomar (SP).